Galera,
Continuando minhas impressões sobre cinema, quero falar sobre um filme que está meio escondido no circuito, mas que deve ser espiado por quem gosta de cinema e de ver estilos diferentes de narrativa.
Trata-se de “Amor nos Tempos do Cólera”, inspirado no livro de mesmo nome do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez. É a história de um homem que espera mais de 50 anos para concretizar uma história de amor iniciada por carta com uma mulher nos fins dos 1800. Outras mulheres passaram pela vida dele, mas nunca deixou de acreditar no sentimento compartilhado nas cartas, mas que não passou da platonice por conta de outras pessoas (como o pai da mulher, que queria um casamento para a filha com alguém que tivesse posição na sociedade).
Não sei se é porque me considero um cara romântico, mas ver uma história como essa é bom para lembrar que o amor ainda é possível. Que vale a pena desejar certas coisas, mesmo que não seja fácil ou aparentemente viável pensar na realização do que se quer.
Os tempos podem ser líquidos como analisa Zighmunt Bauman. As relações podem ter uma tendência à fugacidade, à urgência do tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Mas sempre há a exceção a regra. E esse ditado é mais antigo que o sociólogo polonês.
Alguns críticos criticaram a adaptação para o cinema, mas isso não é novidade. Quantas adaptações foram elogiadas até hoje? O que é difícil para alguns é abstrair isso e ver se a história faz sentido, como as atuações se dão.
Na minha humilde ótica, Javier Barden (ganhador do Oscar na noite de ontem) mais uma vez brilha ao mostrar as agruras de um homem movido pelo sentimento. A sua musa, a atriz..., também se destaca. Que olhos são aqueles? A fotografia também é muito boa.
O pecado é ser um filem passado na Colômbia com atores falando em inglês. Até a Fernanda Montenegro, ótima até nas pequenas participações, teve que destilar o seu “the book on the table”.
Um filme que é aplaudido no fim da sessão – realizada no Cine Arte UFF – não pode ser ruim, como muitos críticos pintaram por aí.
Fiquei até vontade de ler o livro para ver se a história é tão boa como a contada nas telas...
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